Momento de aplausos

Nessa sala vazia de aula de inglês, esperando os alunos, dei uma “googleada” em “Jardim da Insanidade”. E o que encontro:

“Seguem as minhas indicações para o prêmio Dardos!!  No link seguem as regras!  Prêmio Dardos

 

 

 3 Jardim da Insanidade [ http://jardimdainsanidade.wordpress.com/ ] -  uma viagem realmente.

http://jovem.werther.zip.net/

Agradeço imensamente (apesar do choque!)

PS.: Espero que os alunos nem venham com o temporal que cai lá fora…

ALMA PELICULADA

Tenho olhos delatores

Abertura os infratores

Podendo ler minhas dores

Conhecendo as minhas mágoas

 

Trago na cara duas falhas

Castanhos e amendoadas

Buracos na muralha

Descosturas em um ser de malha

 

Quero os segredos seguros

Guardados e ocultos

Por ninguém ser penetrável

Lida e decifrável

 

É o porquê dos óculos escuros.

Daquela garrafa de conhaque

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Me sinto só, usada e jogada num canto, chorando, com a garrafa pela metade. Aquela garrafa de conhaque que comprei como enfeite para a estante da sala e que vejo ao meu lado, ouvindo as minhas queixas. Nunca havia conversado com uma garrafa… Viu o que fazes comigo? Agora já podes vangloriar-te e me chamar de louca.

Já riste das minhas lágrimas, já me subjugaste, já foste dormir sem me acalentar. Traste. E, assim, me esqueces. E tenho agora, como companhia, só esse conhaque pela metade, essa voz de bêbada e essas linhas mal escritas, garranchos, numa folha de papel qualquer. AGORA, EU SOU QUALQUER COISA PARA VOCÊ? Fico imaginando o que ficas imaginando…

Já te chamei de traste? É, palavrões não me cabem. Apesar de odiar-te até tuas entranhas, o máximo que consigo é “traste”. Apesar de te considerar o mais horrendo dos seres, meu bem, ainda és belo para mim. Engraçado, não?

Ah… Não consigo mais escrever. A cabeça pesa… as mãos pesam… Hum… Algo como… Sim, algo como…

 

 

[garrafa ao chão]

 

 

 

ESPERA

...

Se perguntava

até quando iria durar aquela espera.

Espera doída, descabida,

lhe tomava o sono e recaía nos dias.

Desassossego, desapego,

num infinito tão aberto

que só cabia o medo.

Não duvidava do correr das horas

e das certezas que isso traz.

Todavia, que ponteiro preguiçoso!

Por que não lhe poupava?

Era a partir dali que traçaria seus planos,

a partir do segundo em que tomasse a decisão.

 

Mas tudo ainda era incógnita

no charco gelado da emoção.

ESTILHAÇO

CALICE

Você não sabe que sou um vidro estilhaçado

a ponto de partir em pedaços?

Não nota que só as palavras preservam

dos lamentos, dos estragos?

 

Eu sou um canário de laço atado numa pata

Sou aquela moeda perdida entre a grama mal cortada

 

Não me esquente com seus lábios

nem me apare com seus braços:

Eu tombo por vontade própria

Crio os credos, faço as trocas

 

Não me atire pedras, isso é trabalho meu

Procure algum outro telhado

excomungue outro encarnado

 

E esqueça minha carne

de cicatrizes e arranhões

de hematomas, cortes, tudo

que a vida deu aos borbotões

 

Desista de me salvar

não sou sua porta para a virtude

Quero é me afogar

em todas as vicissitudes

às quais eu me colocar.

VELHO PARADIGMA

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Desde que o bicho-homem se descobriu

Como um ser racional

Vive inventando novas formas de afirmar

Que não é mais um Neanderthal

 

Relações entre pessoas se baseiam no interesse

De sempre ganhar mais do que valem

Nem que não se trate simplesmente da moeda

Mas de um status que possam lançar mão

 

Divãs se entopem, remédios multiplicam

Tentando trazer alguma coisa que preencha

Essas figuras deformadas

Pelo tão alardeado “caos existencial”

 

Dialética

frenética,

estética,

cibernética

Em que mundo eu tô?

Alguém me explica, por favor!

 

Minha mente se atrofia com tanta informação

Em quem acreditar nesse mundo de enrolação?

 esquerda, direita, centro, apolítico

 quase ninguém liga pra isso

 

A gente vota como se fosse na escola

Pra quê dar ouvidos aos discursos na TV?

“Ladrões, porcos, brasileiros sem respeito

Eu, por exemplo, só tenho a perder”

É isso que a massa, como carneirinhos

É obrigada e ensinada a prever

 

E tudo se complica, e tudo que se diga

Cabe nesse velho

 paradigma

NÓ DE MARINHEIRO

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Descubro o meu corpo do lençol

e então, descubro o encanto do teu.

Esplêndido ardor que emana de nós

nos nós que formamos a cada enlace.

Me afogo num beijo, daqueles de sempre

De sempre, de eterno, de gosto de tudo.

[Ai, emudeço!]

só saem sussurros…

Gemidos do réu que agora agoniza

nas mãos do carrasco querido e desejado.

Doce tu… Pior que uma droga

me aprisionas na impossível abstinência

na insuportável “impresença”

do teu odor colado em mim…

            [arrepio]

Cada toque, uma nota, uma sinfonia

Um quê de quando

que não necessita de porquê.

Meu bem, estrangula cada célula, cada átomo

funde-me a ti, assino o contrato

da união eterna, da eterna espera

tal qual Penélope com seu Ulysses

E fio, e fio, e fio…

            [olhos fechados]

BATER DE ASAS

 

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Quero ser pássaro

Átomo solto

num vento de tempestade

Sair da brisa da vida

da marola dos segundos

dançar por dentro

Meus braços leves

Mente em nuvens

Certo deslumbramento

Em cores psicodélicas

histéricas

fálicas

Espalho-as!

Me pinta com elas

um corpo nu e devasso

duma castidade esquecida

dum ponto de vista escasso

em algo mais que vida!

E ávida que me lidera

exaspera de tanta paixão

entusiasta do vôo

do corpo de asas mal-feitas

Asas nos pés

Ser mitológico

Ó, mithos!

Fecho-me num frio que engloba

num gozo que estoura

 

Trajada de algodão

como noiva

E neblina, como véu…

Rezo o padre-nosso

ao lado dum fraque vestido

Mas fujo do sagrado altar

e prossigo no vôo do pássaro incontido.

NOSSO.

Desejo-te em minha companhia

nesse dia nublado,

com a chuva benta

banhando nosso bem-querer.

 

Tua face de criança

ao volante do carro,

tão doce e inocente

que um sorriso me escapa.

 

Almoço a dois, amor depois

Cochilo…

E lá estou, presa e livre

no aroma da tua respiração.

 

O céu pára;

tudo permanece cálido e calmo

como num dia feito pra nós

sob encomenda prévia.

 

Contigo, sou mulher

e donzela a te esperar.

Porém, moleca sapeca

que ainda enxerga tudo colorido.

 

E inventamos um amor regado

a amizade acima do mundo

Crianças brincalhonas

num desejo infinito.

 

“Amante em meio-período

amigo em tempo integral”

Essa música diz tudo;

é o nosso ideal.

NÃO ACORDAMOS DE NÓS.

Vida-Sonho, Vida-Pesadelo

Perdidas
no contraste do adormecer e do acordar…

Não acordamos de nós, somente de nossas utopias
inatas ou não
construídas na sobriedade da razão
construídas na eloqüência da emoção.

Deve-se adormecer e acordar;
é o que move, o que torce, o que pulsa.
Levantar-se, planar
Planar e sombrear o chão
Deixar sua escuridão e adormecer
numa carícia de necessidade
de contrapor nossos “nós”.

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