A vida importa mais quando é da gente
E está bem na frente
Querendo te acenar adeus.
Vida não é pão, sexo, família.
Vida é olhar na cara da morte
Um sentimento de desmaio
É protegê-la com os dentes
Arrancando a foice e urrando
Até que os monstros saiam de perto.
Não há vida em empreguinho de 8 às 12
Nem novela às 9 da noite
Na mediocridade do supermercado lotado
Na fila do banco, sacando cheque-especial
Nem fones de ouvido com seu BRock de protesto
Meu filho, cresce e enxerga que isso é mesquinharia
É o constrangedor dia-a-dia
Do grilhão dessa gente.
É a tua “gaiola de ferro”.
Chora, treme, entra numa crise existencial
Não serás novidade
Só mais publicidade
Pros “males da vida moderna”.
Acorda, levanta, segue em frente
E serás como muita gente
Que ri quando deveria estar caindo pelos cantos
E aparece como exemplo de vida
Enfeitando alguma reportagem de três minutos
[é pra cumprir tabela no jornal]
Vai viver como um ermitão
E só vais ter o contato da morte pairando
O escarro dos outros em ti
Literal e metaforicamente
E não poderás ser sorridente
Ou quebras as regras dum recluso
[sim, também aí há regras!]
Ah, meu querido
Apenas vive
Faz teu melhor
Mas não te livra do teu pior
Pois pode te valer.
Guarda um dinheiro na poupança
Deixa ao menos casa como herança
E vai morrer em paz.






sinto algo me espreitar