
Trago as unhas vermelhas
Assim como a tinta da caneta
Assim como o blush nas bochechas
Assim como a raiva na cabeça.
Como a bolsa em cima da mesa de jantar
Como as flores que esqueceste de me dar
Naquele dia em que o vermelho acabou por ficar
No seu rosto, depois de te esbofetear.
E jogar nosso porta-retrato no chão
E de tapar os ouvidos com as mãos
Não ousar ouvir nenhuma explicação
Expulsando-te e trancando meu portão.
Vontade de cortar-te em retalhos
E evitar que costures os pedaços
Porém, já que literalmente não posso
Decepo tua cabeça das fotos.
Livre, agora, enxergo além da parede
Parece tudo, na rua, mais verde
Sinto que nada em mim se perde
Só acrescento mais, a vida cresce
É mais matiz
Sou mais feliz
O vermelho instigante
Tornou-se branco levitante.
E eu ainda prefiro o vermelho, o colorido, o voraz. Nada de “branquinho” ou barquinho e violão. O que é bom mesmo, é ter intensidade. É saber ser um branco vermelho, não um vermelho branco.
E arrancar a cabeça das fotos ainda deixa o corpo, que me parece pior… mas vamos tentando, né?
Parabéns, guria! Adoro os textos!
=**
Ainda prefiro o colorido arco-iris