I
Partida em pedaços
Alguns em falta
Largados no caminho.
Minhas forças eram poucas
Não podia; não poderia.
E as sapatilhas nas mãos
Pendendo pelas fitas.
Pés no chão gelado
A noite de companhia.
Nada a meu redor; não via nada.
Apenas o que havia dentro
Apenas o que martirizava, cortava, sangrava.
O despedaçado;
O quebrado;
O tudo que naufragava em vazio
Esse confuso que se instalava.
Não eram apenas as sapatilhas vazias de mim;
Minha alma também não me preenchia mais.
Apenas flutuava
Torturada.
E eu, corpo
Só.
Passo os dedos pelo cabelo
Algo deve estar no lugar
Algo deve exprimir retidão
Nem que sejam os cabelos.
O asfalto não termina
Já não evito as poças
Para quê?
Pra que me manter…
Ah, já não penso.
Os pés descalços levam-me
Onde estou?
Não pergunte
Permito-me não saber.
Sem alma, não sou eu.
Sem alma, não há norte.
E ela está vagando, maltratada
Esvaída de mim
Evitando encontrar-me
Pois ver-me assim…
Ela não agüentaria!
Levou minha visão com ela
E agora só há cavidades mortas
Só há um nada,
Um nada,
Um nada.

Voltaste minha paraense preferida! É sempre bom demais te ler pq vc tem o dom da poesia, a arte de falar a verdade do coração. Eu só consigo as crônicas, espaços em que há lugar pra mentira, pra invenção, pra lógica construtiva que se alonga. O poema não se alonga, não faz rodeios, acerta o alvo na ferida. Continue a escrever, que te ler é bom demais!
Larissa,
gostei muito do teu blog e achei essa poesia linda! Fiquei muito emocionado ao le-la. Um beijo na alma da poetisa.
ficou linda a poesia, versos intensos, parecem as dores do vazio da alma de uma bailarina. adorei, te linkei.
Que bom que voltastes,adorei a poesia,meesmo!
Parabéns