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Arquivo da categoria ‘Larissa Fiodorovna’

MÚLTIPLA ESCOLHA

A vida importa mais quando é da gente
E está bem na frente
Querendo te acenar adeus.
Vida não é pão, sexo, família.
Vida é olhar na cara da morte
Um sentimento de desmaio
É protegê-la com os dentes
Arrancando a foice e urrando
Até que os monstros saiam de perto.

Não há vida em empreguinho de 8 às 12
Nem novela às 9 da [...]

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LITTLE FLIGHT

Waiting for the bells to ring
Carrying every kind of sin
Not sure if there’s a prize for winning
Esperando que os sinos toquem
Carregando todo tipo de sina
Sem a certeza se há prêmio por ganhar
Listening to the sax in the evening
All the stars are full of swing
Nothing on mind to think
Escutando o saxofone de tardinha
Todas as estrelas estão [...]

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O QUE RESTA

Peito imprudente!
Te consomes em mil ninharias
vidraças quebradas
da casa de bonecas com que deliraste.
Parvo!
Embora distante,
crias em ti o sentimento do cavaleiro que volta
reluzente armadura
no sol do entardecer.
Criatura tola e desfigurada!
Se tivesses a sorte do principiante
ao jogar os dados
ainda sim, contarias errado o resultado!
Enterraram tua inocência num buraco
e não demarcaram.
Riem de ti.
É tua paga, teu soldo.
Ajoelha e [...]

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LÁBIOS

A rainha chora.
Gotas espessas de sangue escarlate
coagulando-se depressa com a fibrina.
Mancha-se o vestido branco
de renda madre-pérola trazida da Europa.
Mancham-se as calçolas: já é moça.
Os lábios são entreabertos
como para provar delícias ainda cobertas
pelo véu da inocência ignorante.
A língua se aquece dentro da boca
e contorna os lábios virgens.
É a alma separando-se do corpo,
deixando-o na descoberta dos impudores [...]

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COTA DE PACIÊNCIA

Você me deixa num talvez tão incômodo
Chegando à tortura para alguém como eu
Sou imediatista, meu caro
Quando se trata de sims e nãos.
Você me deixa num talvez tão profundo
Que eu tento desprender-me de ti
Mas algo me puxa de volta sempre
Como a ressaca da praia da noite de verão.
Tentativas frustradas de esquecer teu telefone
Mais frustradas ainda de [...]

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VERMELHO

Trago as unhas vermelhas
Assim como a tinta da caneta
Assim como o blush nas bochechas
Assim como a raiva na cabeça.
 
Como a bolsa em cima da mesa de jantar
Como as flores que esqueceste de me dar
Naquele dia em que o vermelho acabou por ficar
No seu rosto, depois de te esbofetear.
 
E jogar nosso porta-retrato no chão
E de tapar [...]

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RESUMO DA ÓPERA

Ósculos e amplexos
Óculos e reflexos
Universo sem muito nexo
Nem meu nem de meu espectro.
 
Meu destino é incerto
O caminho é complexo
Um desfecho patético?
Um sucesso estético?
 
Ou estático?
 
Depende dos passos
Enlaces e percalços
Numa armadilha de ratos
Impressa nos erros dos atos.
 
Minha meta não é reta
É sinuosa, incorreta
Forma ciclos, incoerências
Mas não acaba em reticências.
 
Dormindo o sono dos justos
Fazem-se sonhos impuros
Torpes, longos e [...]

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BASTAR

Sabe
Muitas vezes fico só demais
Outras, há gente demais
Em volta.
 
Vontade
De ter em mim a solidão
A mais estúpida, confusa
Mais boba.
 
Os dias como meras miragens
A mente em tantas viagens
De ida e volta.
 
Às vezes sem volta
 
Vôo solto de pipa
Sem dono, sem linha
E sem nenhuma revolta
 
Por que a sensação que vem
É a de quem tem
O mundo nas mãos?
Na plena solidão
Na [...]

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FIM DA CANÇÃO

I
 
Mais um dia apontando mais um motivo
Relembrando o que veio antes
Olvidar todo o mal já feito
Meus brios, teus defeitos.
 
II
 
Há muitas formas de um amor ser conquistado
E muitas mais de ser rejeitado
Teu gosto não é mais certo;
ele azeda com o tempo.
 
III
 
Que bom ter rubricado meus livros
Que bom ter separado meus discos
Que bom a casa ser minha
Que [...]

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INSONE

sinto algo me espreitar
como causa da insônia
me fazendo vampira
sem sede de sangue.
 

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