Como tudo que sufoca, não
poderia ser diferente. Não era o cheiro de cigarro misturado ao hálito etílico daqueles corpos sonâmbulos a se balançar ao som da música estridente e à batida repetitiva que a incomodava. Pareciam tristes figuras procurando inconsciência por alguns instantes para voltarem a serem os mesmos hipócritas sociais na segunda-feira, com seus ternos e suas meias-calças, na incessante correria pelo aluguel do fim do mês. Isso era o mais patético.
No entanto, o mais
deprimente era estar ali, semana após semana, atrás de uma plataforma de vidro à prova de som, onde escolhia o que aquelas figuras estúpidas iriam escutar. Mixando faixas e tomando alguns goles de vodka, via bocas a se colarem e descolarem, e logo buscarem outras, num frenesi esquizofrênico. O trabalho era parte da vida, porém não da vida que escolhera quando abandonara aquela casa. Queria livrar-se da loucura – não ir direto a ela.






